O Parque Nacional do Pico da Neblina é uma unidade de conservação federal localizada no extremo noroeste do Amazonas, próxima à fronteira do Brasil com a Venezuela. Criado em 1979, protege cerca de 2,25 milhões de hectares da Amazônia entre os municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro.
Dentro dessa área está o Pico da Neblina, conhecido como Yaripo pelos Yanomami da região e reconhecido como o ponto mais alto do Brasil. A montanha, porém, ocupa apenas uma parte de um território marcado por florestas, rios, serras e grandes variações de altitude.
Outra característica importante do parque é sua relação com as Terras Indígenas. Grande parte da unidade está em áreas de sobreposição territorial, o que influencia diretamente sua gestão e também a forma como determinadas regiões podem ser visitadas.


O que é o Parque Nacional do Pico da Neblina?
Criado em 5 de junho de 1979, o Parque Nacional do Pico da Neblina é uma unidade de conservação federal administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio. Sua criação teve como objetivo proteger uma extensa área da Amazônia no extremo noroeste do país.
Por integrar a categoria de proteção integral, o parque possui regras específicas para conservação e uso do território. Pesquisa científica, educação ambiental e visitação podem acontecer, desde que respeitem as normas estabelecidas para a unidade.
Em 2022, o ICMBio aprovou o Plano de Manejo do Parque Nacional do Pico da Neblina, documento que organiza o zoneamento da área e orienta sua conservação, gestão e uso público. O plano também considera as particularidades das regiões que se sobrepõem a Terras Indígenas.
Assim, o parque funciona como uma área protegida voltada à conservação de ecossistemas amazônicos e à organização dos diferentes usos permitidos dentro de seus limites.
Onde fica o Parque Nacional do Pico da Neblina?
O Parque Nacional do Pico da Neblina fica no Amazonas, no extremo noroeste do estado e próximo à fronteira brasileira com a Venezuela.
Sua área está distribuída entre Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira. Segundo o Plano de Manejo, cerca de 71% da unidade está em Santa Isabel do Rio Negro e 29% em São Gabriel da Cachoeira.
O parque faz parte da região hidrográfica do Rio Negro e alcança áreas montanhosas do norte amazônico. Entre elas está a Serra do Imeri, onde se encontra o Pico da Neblina.
São Gabriel da Cachoeira também funciona como uma referência logística para algumas das operações realizadas nessa parte do Amazonas, incluindo as expedições que seguem em direção a Yaripo.
Parque Nacional do Pico da Neblina no mapa
No mapa, o parque aparece no extremo noroeste do Amazonas, em uma região próxima à Venezuela e distante dos principais centros urbanos do Brasil.
Sua extensão ajuda a entender por que o Parque Nacional do Pico da Neblina não deve ser imaginado como uma área concentrada ao redor da montanha que lhe dá nome. A unidade ocupa um território amplo, com rios, florestas e diferentes formações de relevo.
Se você quer aprofundar especificamente a posição da montanha e sua relação com a fronteira, veja também nosso conteúdo sobre onde fica o Pico da Neblina.
O que o Parque Nacional do Pico da Neblina protege?
O Parque Nacional do Pico da Neblina protege uma grande variedade de ecossistemas amazônicos, nascentes, rios, formações montanhosas e espécies associadas a diferentes altitudes. A amplitude do relevo faz com que ambientes bastante distintos estejam preservados dentro da mesma unidade de conservação.

Entre as formações vegetais presentes estão áreas de Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Aberta, Campinaranas e Refúgios Vegetacionais. Nas regiões mais elevadas, as condições de temperatura, umidade e exposição ao vento favorecem ambientes de altitude pouco comuns em outras partes da Amazônia brasileira.
O parque também protege áreas da Serra do Imeri, onde estão o Pico da Neblina e o Pico 31 de Março, os dois pontos mais altos do Brasil. Essas formações fazem parte de um conjunto montanhoso com características ecológicas próprias e grande relevância para a conservação.
Outro elemento importante são os recursos hídricos. Nascentes e cursos d’água localizados dentro da unidade alimentam a rede hidrográfica ligada ao Rio Negro e ajudam a conectar as áreas montanhosas às florestas das regiões mais baixas.
Dessa forma, a proteção do parque abrange tanto a biodiversidade das florestas amazônicas quanto os ambientes de altitude, as formações geológicas e os sistemas hídricos presentes nesse território.
Terras Indígenas no Parque Nacional do Pico da Neblina
A presença indígena é parte fundamental desse território. Segundo o Plano de Manejo, aproximadamente 71,95% da área do Parque Nacional do Pico da Neblina se sobrepõe a Terras Indígenas, o que mostra como conservação ambiental e vida comunitária estão diretamente relacionadas nessa região.
Essa sobreposição envolve quatro territórios:
- Terra Indígena Yanomami
- Terra Indígena Balaio
- Terra Indígena Cué-Cué Marabitanas
- Terra Indígena Médio Rio Negro II
Na prática, isso significa que a proteção do parque precisa caminhar junto com os direitos, os conhecimentos e as formas de organização dos povos que vivem nessas áreas. São territórios ocupados e conhecidos muito antes da criação da unidade de conservação, com rios, serras e caminhos que fazem parte da vida cotidiana das comunidades.
É nesse contexto que está Yaripo, nome Yanomami do Pico da Neblina. Para os Yanomami da região, a montanha faz parte de um território vivido e conhecido ao longo de gerações. Essa relação também ajudou a definir a forma como a visitação foi organizada, com participação direta das comunidades e regras próprias para o acesso.
Como funciona a visitação no Parque Nacional do Pico da Neblina?
A visitação ao Parque Nacional do Pico da Neblina é controlada e varia de acordo com a área acessada. No caso de Yaripo, o acesso acontece em uma região de sobreposição com a Terra Indígena Yanomami, o que exige autorização e respeito às regras ambientais e comunitárias.
Para organizar essa atividade, foi criado o Plano de Visitação Yaripo, que define onde a visitação pode acontecer, como o acesso deve ser conduzido e de que forma as comunidades Yanomami participam da operação.
Em junho de 2026, a Funai aprovou a versão atualizada do plano por meio da Carta de Anuência nº 7/2026. O documento reforça que a atividade deve ocorrer apenas nas áreas autorizadas pelas comunidades e dentro das normas estabelecidas para o território.
Na prática, isso significa que não é possível visitar Yaripo de forma independente. O acesso precisa acontecer por meio de uma operação organizada, com acompanhamento local e dentro das regras definidas para a região.
Conheça o Parque Nacional do Pico da Neblina com a Vivalá
A expedição permite conhecer uma parte desse território dentro do modelo de visitação à Terra Indígena Yanomami. A Vivalá atua em colaboração com as organizações comunitárias locais, que participam da organização e da condução das atividades no território.

Na página da Expedição Yaripo ao Pico da Neblina, você encontra próximas saídas, programação, nível de dificuldade, serviços incluídos e orientações para participar.
Se quiser entender melhor como funciona a experiência, fale com a equipe da Vivalá e tire suas dúvidas.

Referências
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, ICMBio. Plano de Manejo do Parque Nacional do Pico da Neblina. 2022.
Fundação Nacional dos Povos Indígenas, Funai. Plano de Visitação Yaripo – Ecoturismo Yanomami e Carta de Anuência nº 7/2026. 2026.



